06/07/2014

Desilusão ele vende

Ele andava novamente,
Sem nada na sua mente,
Apenas o rosto dela sorrindo de novo pra ele,
Ele até queria esquecer mas não conseguia.
Ia olhando pássaros bonitos, mas não daquilo não gostava,
Só queria algo bem simples, algo que realmente amava.
Mas não sei bem porquê,
Só acho que era você,
E só acho.

Em sua caminhada,
Evitou vê-la no nada,
Como acontece naqueles filmes meio antigos,
Mas sem o mesmo bonito e clichê final feliz,
Tentando explicar um pouco, mas não conseguiu se entender,
Talvez se tentasse depois, pudesse até compreender,
Ele sabe porque não entende,
E outra desilusão ele vende.

Estava distante e não queria,
Estar assim durante o dia,
Estava certo e bem que devia.
Sentou-se num canto,
Sozinho entanto,
Feliz.

Ontem ele saiu de cena,
Indo sonhar com a menina pequena,
Talvez juntos,
Discutindo novos assuntos.
E o que parecia ser, não era simples assim,
E o que se tornou era bem mais simples pra mim,
De novo, entrou em seu coração,
Mas ele não queria que todos vissem isso.

Não diga nada, pois ele não está só parado,
Continuando meio calado,
Conclusivamente, ele só queria ser mais amado,
Não fingia o pranto
Fingindo entanto, estar,
Feliz.

Logo ali onde mais gostava,
Foi atingido pela estaca, em vão,
Sem amor, sem compaixão,
Onde esteve seu coração?

05/07/2014

Não possa deixar de sonhar

Amanhã serei mais cuidadoso,
Com o perigo que hoje não é perigoso,
Mas hoje serei descuidado.

Amanhã serei mais cauteloso,
Tentando tornar-me menos teimoso,
Mas hoje serei apressado.

Amanhã serei mais sério,
Separando a escória do que é minério,
Mas hoje serei brincalhão.

Amanhã terei mais critério,
Sendo mais rigoroso com o mistério,
Mas hoje darei meu coração.

Vou ser o deveria,
Segundo os olhos de quem me vê,
Serei quem sou no dia,
Serei quem sou com você,
Vou voltar se não estiveres no meu caminho,
Porque o amanhã pode nem chegar,
E talvez eu esteja sozinho,
Quando o sol voltar,
E se voltar contigo, que se conclua a melodia,
Sendo o que deveria,
Essa época de frio nas janelas,
Que se abrem e deixam o vento passar,
Esse tempo em que eles e elas,
Apenas olham pro mar,
Esse tempo de atitudes pequenas,
E gestos pequenos que se fazem bonitos,
Tempo bonito apenas,
Mas tempo que não é infinito.

Hoje serei apenas eu,
Vou prometer o que você nunca prometeu,
Estar aqui amanhã.

Hoje serei aquele menino escondido,
Que não passa de arrependido,
Nesta história vã.

Hoje serei a antítese da saudade,
Sendo que em qualquer idade,
Vou me lembrar.

Hoje serei mais que realidade,
Que não possa na verdade,
Deixar de sonhar.

03/07/2014

No pretérito

Nos tempos de ouro
Quando o dia se estendia até as madrugadas
Quando com inocência acreditava em cada palavra
E disso você ria
Para todos eu dizia estar encantada

Me perdoe, ó Mundo, por não ser suficiente
Por ter mudado
Por tentar seguir em frente

De todos os erros
Foste o que mais gostei
O que mais sonhei

E se pensas que não vejo teu orgulho ferido
Saibas que não me importo,
Ainda és meu amigo

E se para tudo há remédio
Sare esta ferida
Me transforme em arte
Faça com que eu seja parte
Parte de você

No pretérito era alegria,
Conversa e companhia
No presente é saudade,
Relutante e imutável

02/07/2014

Queda livre

Rapidamente,
Cai nos teus encantos
Cai no teu jeito
De dizer "tanto faz"
Cai na poesia
Cai na alegria
Alegria de pensar em querer
Querer estar com você
E foi caindo nessa utopia
Que a realidade a mim voltou
Não c
          a
            i 
              o mais nesta,
                 Nesta falsa história de amor

19/06/2014

Assemelha-te ao que eras

Ah, que lindo romance,
Fora do seu alcance,
Não teve chance,
Nem de relance,
Menina que correu de seus olhos alarmados,
Menino que cedeu aos encantos desencantados,
Ninguém presta atenção,
Mas nos prendemos a um detalhe,
Na lógica cria um vão,
Fazendo com que a razão falhe.
À luz do sono os poemas ganham vida,
À luz dos sentimentos eles ganham fermento,
De tempos em tempos as palavras são esquecidas,
Levadas pelo impetuoso e impiedoso vento.

Na época em que tal pessoa,
Apreciava meu viver no papel,
Tudo soava e ainda soa,
Como na minha boca o mel,
Estranha sua ausência,
Incomum sua presença,
Um paradoxo sua carência,
Minha memória, minha doença.
Razões incomuns tão evidentes,
Conselhos errados tão decentes,
Fizeram-me duvidar se tudo é sonho,
Na qual a imaginação ponho,
E a mulher que ainda vejo,
Não vive romance,
Talvez um sutil desejo,
Que na alma lhe dance.

E sorte minha seria,
Vê-la nos meus braços,
E abraços e laços teria,
Ocupando todo meu espaço.
Quanto mais desejo menos realidade,
Isso é inversamente proporcional,
Quanto mais loucura menos sanidade,
Já é um pleonasmo bem igual.
O hoje é espelho,
Que reflete apenas o joelho,
Do corpo, da mente, da ligação,
O hoje é espelho,
Espelho do passado então,
Passado mal vivido e nostálgico,
Presente tranquilo trágico.

Voltar atrás não é opção,
Pra quem diz ser livre e tem livre coração,
Assemelha-te ao passado, por favor,
Presente, seja novamente meu amor,
Assemelha-te ao que eras,
Doces palavras e atitudes sinceras,
E futuro, se reserve o direito de permanecer calado,
Como sempre se mostrou,
Mas também seja como o passado,
Forjando quem hoje sou.

13/06/2014

Só mais um daqueles poemas

Esse é só mais um poema
Daqueles que você diz gostar
Meras palavras rimadas
Sobre quem já disse amar

Essa tua instabilidade
Do que sente e pensa
Faz de mim tua vaidade
Medíocre poeta de egos

Não era para ser assim
Não era para a vitória ser minha
Ganhei aquilo que não queria
Passei a viver o que temia

Exagero? Talvez.
Mas sempre foi assim
Eu e você
Eu e o medo do fim

Medo de ser insuficiente
De ficar carente
De te perder na minha mente

Ah, se você voltasse
E o tempo contigo
Recuperaria inspiração
E meu melhor amigo.

28/05/2014

O fim é o início?

E por quê?
Você...
Como se fosse,
Seu jeito doce,
Que me trouxe,
Esse vento...
Foi frio no momento,
Que no entanto,
Gerou um manto,
Aqueceu,
Que preencheu,
De longe se lê,
Nos sonhos se vê,
Era você.

Se não trouxera,
Bem sincera,
O que espera:
A mentira.
E o que vira,
Fosse mar...
Mar falso,
Ilusionar...
Ando descalço,
No encalço,
Do amor,
Da cor,
Da dor,
Da flor...
De ti,
Que vi,
Ali,
E logo senti,
Que não era igual,
Era especial,
Legal.

Você está aonde?
Se esconde?
Amor, paixão,
Estenda sua mão,
Veja a reação,
No toque.
Foque,
Os olhos nos meus,
Mas tristes estão seus...
Olhos.
Me molho,
Na chuva,
De luva.
Paulista,
Bem-vista,
Com cara sulista,
Insista,
Naquilo que te fez bem,
Que me fez também...
Te fez, não fez?
Ou não foi dessa vez?
Rabiscou minha mente,
De forma indecente,
Incandescente,
Fluorescente,
Deixou meu mundo.
E desespero profundo,
Naquele segundo,
Do triste adeus,
Tristes olhos meus.
Mulher,
Que quer,
O contrário de mim,
Logo pôs fim,
Na paixão,
Na felicidade,
E na minha mão,
A realidade.
E quem era a pessoa?
Que a vida fez boa,
Quem meu desejo queria,
Bem naquele dia?

Era você,
Nos sonhos se vê,
De longe se lê,
Que preencheu,
Aqueceu,
Gerou um manto,
Que no entanto,
Foi frio no momento,
Esse vento...
Que me trouxe,
Seu jeito doce,
Como se fosse,
Você...
E porquê?